Amor (?!),
Não sei se você ainda guarda memórias de mim. Muito tempo se passou desde que viramos “eu”, “você” e deixamos o “nós” pelo caminho. Aquela despedida dentro do carro, em noite de lua cheia, ainda faz brotar lágrimas nos meus olhos quando recordo do seu sussurro de adeus. Choramos como dois meninos sem o sorvete de fim de tarde, mas sabíamos que era preciso. Ou, era para mim naquele momento, não sei bem explicar. O fato é que a gente sempre acha que já fez tudo que podia, quando na verdade nem começou a entender direito o que é o amor.
Éramos tão jovens e imaturos que a decisão mais responsável perante tanto sentimento desencontrado foi justamente a separação. Como fomos tolos.
Conheci outros garotos, outras histórias, outros poréns. Virei a vida de tantos outros e fui o nada de um alguém. Degustei a solidão, bons vinhos e encontrei Guimarães em palavras. Fui cúmplice de mim mesma, da minha dor e deste passado que se faz presente. Encontrei você por diversas vezes naquele sonho recorrente de ter filhos e uma casinha no campo. Você continuava arredio. Eu continuava teimosa. Mas o seu sorriso mirando a vida que tínhamos construído, esse permanece sempre encantador na minha lembrança.
Não sei como sua vida se encontra hoje. Certamente concluiu a faculdade, passou naquele concurso que tanto almejava e talvez até tenha adotado a ideia assustadora de uma vida a dois. Mas a minha passagem hoje pela sua vida, através de uma folha rascunhada com um milhão de pensamentos acumulados durante todos esses anos, torce para que pelo menos a última metade não tenha de fato acontecido. Preciso dizer que te amo e não podia simplesmente ser através de dois risquinhos no whatsapp. A saudade do meu coração precisava manchar de lágrimas este papel, a escrita trêmula de medo e ansiedade carecia de ser vista, lida e amparada que é para encher de verdade o minuto da entrega.
A pior coisa que já fiz na vida foi ter deixado você sair desolado daquele carro naquele agosto passado. E tenho pra mim que nunca é tarde para se buscar o amor. Peço desculpas pela desistência precoce e pelos anos de orgulho e ausência. Espero que não seja tarde para desatarmos este nó. Tenho muito ainda a dizer, por isso junto com o aviso de entrega desta carta pego meu caminho em direção a você. Você terá tempo de se recompor e eu, de me preparar. Espero encontrar seus abraços e sua barba mal feita me aguardando para retomar o abrigo. Caso contrário, terá sido válido me ver dentro dos seus olhos por pelo menos uma última vez. Sorrindo.
Eu te amo (sem dois risquinhos e hora de visualização que é para o sentimento durar para sempre).
Ainda sua.”
Lá do Casal Sem Vergonha

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