30 de julho de 2014

Sobre Sherlock...


- John, receio não poder dar parabéns. Qualquer emoção, sobretudo o amor, opõem-se à pura e fria razão que tenho sobre todas as coisas. Um casamento, na minha opinião, nada mais do que a celebração de tudo o que é ilusório, irracional e sentimental nesse mundo de uniões débeis. Celebramos o escaravelho da morte que avisa do fim da sociedade, e, em longo prazo, certamente o fim da nossa espécie. 
...
- Enfim, vamos falar do John.
- Por favor.
- Se eu me meti com um auxiliarzinho nas minhas aventuras, não foi por capricho. Foi porque suas vastas virtudes foram negligenciadas por causa de sua obsessão por mim. A reputação que eu tenho de acuidade mental e precisão vem, na verdade, pelo abismo que o John cria de forma egoísta. É inquestionável que noivas tendem a agradar madrinhas ordinárias. Existe uma analogia aí, eu sinto. E se opõe, no final das contas, ao plano divino de valorização a beleza de sua criação. Ou, quem sabe, Deus não é uma fantasia lúdica inventada para incentivar um futuro de vida para idiotas. 
...
- O argumento que eu quero provar é que sou o mais desagradável, o mais rude, ignorante e o maior imbecil que alguém pode ter o desprazer de conhecer. Desconheço virtudes, ignoro o belo e não compreendo a felicidade. Se eu não entendi por que me chamaram para padrinho, é porque jamais concebi ser o melhor amigo de alguém. E muito menos ser o melhor amigo do mais corajoso, gentil e sábio ser humano que eu tive a graça de conhecer. John, eu sou um sujeito ridículo. Salvo apenas pelo calor humano de sua amizade sólida. Mas, se aparentemente eu sou seu melhor amigo, não posso aprovar suas escolhas de companhia. Na verdade, agora eu posso. Mary, quando eu digo que você merece este homem, é o maior elogio que sou capaz de fazer. John, você enfrentou a guerra, um ferimento e uma grande perda... Perdão por esta última. Saiba disso: Você esta entre a mulher com quem casou e o homem que você salvou. Em resumo, as duas pessoas que mais te ama no mundo.Sei que falo por Mary também quando digo: nunca vamos desapontá-lo e temos a vida para provar isso. 
- Se eu chorar me impeça.
- Claro que não.
- Ah sim, vamos de alguns casos engraçados com John. O que foi? O que houve? Por que estão desse jeito? John?
- Oh Sherlock!!!
- Fiz algo errado?
- Não, não fez... Vem aqui!!!
- Mas eu não acabei.
- É, eu sei.

Sherlock Holmes


Essa cena me arrupiou do começo ao fim.

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