9 de outubro de 2013

...



Ele ficou quieto por um longo tempo e, bem quando abri a boca para falar, respirou fundo.
— Eu não fico com medo com frequência — ele disse por fim. — Fiquei com medo naquela manhã, quando acordei e você não estava aqui. Fiquei com medo quando você me largou depois de Las Vegas. Fiquei com medo quando achei que ia ter que contar pro meu pai que o Trent tinha morrido no incêndio. Mas, quando te vi através das chamas no porão... eu fiquei apavorado. Eu consegui chegar até a porta, estava a menos de um metro da saída, mas não consegui sair.
— Como assim? Está maluco? — falei, virando a cabeça para olhar em seus olhos.
— Nunca estive tão lúcido na vida. Eu me virei, encontrei o caminho até aquela sala, e você estava lá. Nada mais importava. Eu não sabia se a gente ia conseguir sair dali vivos ou não. Eu só queria estar onde você estivesse, não importa o que isso significasse. A única coisa que eu tenho medo é de viver sem você, Beija-Flor.
Eu me inclinei e beijei seus lábios com ternura. Quando nossa boca se separou, eu sorri.
— Então você não precisa ter medo de mais nada. Nós estamos juntos para sempre.
Ele suspirou.
— Eu faria tudo de novo, sabia? Não mudaria um segundo da nossa história se significasse que estaríamos aqui, agora, neste momento.
Senti os olhos pesados e inspirei fundo. Meus pulmões doíam, ainda ardendo por causa da fumaça. Tossi um pouco e depois relaxei, sentindo os lábios mornos de Travis na minha testa. Ele deslizou as mãos pelos meus cabelos úmidos, e pude ouvir as batidas regulares de seu coração.
— É isso —ele disse, com um suspiro.
— O quê?
— O momento. Quando observo você dormindo... aquela paz no seu rosto. É isso. Eu nunca mais tinha sentido isso desde que minha mãe morreu, mas agora posso sentir de novo. — Ele respirou fundo e me puxou para perto. — Eu sabia, no segundo em que te conheci, que havia algo em você que eu precisava. Acabou que não era algo em você. Era simplesmente você.
O canto da minha boca se ergueu enquanto eu enterrava o rosto em seu peito.
— Somos nós, Trav. Nada faz sentido se no estivermos juntos. Você percebeu isso?
— Se percebi? Faz um ano que eu te falo isso! — ele disse, me provocando. — É oficial. Mulheres, lutas, términos, Parker, Vegas... incêndios... Nosso relacionamento pode aguentar qualquer coisa.
Ergui a cabeça mais uma vez, notando o contentamento em seus olhos enquanto ele olhava para mim. Parecia a paz que eu tinha visto em seu rosto depois que perdi a aposta e tive que ficar com ele no apartamento, quando eu disse que o amava pela primeira vez, e na manhã depois da festa do Dia dos Namorados. Era parecido, mas diferente. Agora era um sentimento absoluto, permanente. A esperança cautelosa tinha desaparecido dos olhos de Travis, substituída pela confiança incondicional.
E eu só reconheci isso porque seus olhos refletiam o que eu mesma estava sentindo.
— Las Vegas — falei.
Ele franziu a testa, incerto em relação a aonde eu queria chegar.
— O que tem?
— Você já pensou em voltar lá?
As sobrancelhas dele se ergueram.
— Não acho uma boa ideia.
— E se fosse só por uma noite?
Ele olhou em volta, confuso, no quarto escuro.
— Uma noite?
— Casa comigo — falei sem hesitar.
Fiquei surpresa com a facilidade e a rapidez com que as palavras saíram. Sua boca se abriu em um largo sorriso.
— Quando?

Belo Desastre.

Me doi ver que são as paginas finais.. mas ao que indica, livro perfeito, final perfeito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que procura?